EFE y AFP
A Uefa elevou o tom contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e afirmou que a entidade perdeu a confiança na atual gestão após a tentativa de criar uma empresa para administrar os principais torneios do futebol mundial e vender participação a investidores privados.
Segundo comunicado divulgado neste sábado (1º), a entidade europeia classificou a proposta como um acordo "obscuro", conduzido sem transparência e em desacordo com os compromissos assumidos por Infantino quando foi eleito presidente da Fifa, em 2016.
A reação ocorre poucas horas após o dirigente anunciar a desistência do projeto, alegando que a iniciativa havia gerado divisões entre as federações e deixado de atender ao objetivo inicial.
O plano previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária responsável pela gestão comercial de competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A proposta buscava captar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões) com a venda de participações minoritárias para investidores, mantendo a Fifa como acionista majoritária.
A Uefa afirmou que trabalhará em conjunto com suas associações filiadas e outras confederações para avaliar como a proposta avançou dentro da Fifa e discutir medidas para evitar situações semelhantes no futuro.
No comunicado, a entidade também acusou Infantino de descumprir promessas feitas durante sua campanha à presidência da Fifa, quando garantiu que adotaria uma gestão transparente e que os recursos da entidade seriam utilizados exclusivamente para o desenvolvimento do futebol.
A resistência ao projeto ganhou força após a Uefa anunciar que seus 55 membros poderiam boicotar futuras competições organizadas pela Fifa caso a proposta fosse mantida. A posição foi acompanhada pela Concacaf e pela Confederação Asiática de Futebol (AFC), que também manifestaram oposição à iniciativa.
Juntas, as três confederações representam 143 das 211 associações filiadas à Fifa, fator que aumentou a pressão sobre a entidade máxima do futebol e contribuiu para a retirada do projeto.
Ao encerrar o comunicado, a Uefa agradeceu o apoio de torcedores, clubes, ligas, jogadores, federações e autoridades que se posicionaram contra a venda de participação nos ativos da Fifa, reforçando que, na visão da entidade, "o futebol não está à venda".
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