Senado aprova MP do Frete para evitar greve dos caminhoneiros

Medida provisória segue para sanção presidencial, enquanto proposta de aposentadoria especial será promulgada pelo Congresso.

Senado aprova MP do Frete para evitar greve dos caminhoneiros

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (14), a Medida Provisória (MP) do Frete, que reforça as regras para o cumprimento do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas. Na mesma sessão, os senadores também aprovaram, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.

A MP do Frete, que perderia a validade caso não fosse votada, segue agora para sanção presidencial. O texto determina que as operações de transporte sejam registradas no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), reunindo informações como origem, destino, tipo de carga, valor do frete e prazo de pagamento. A medida busca fortalecer a fiscalização para impedir contratações abaixo do piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Outra mudança prevista é a obrigatoriedade do pagamento antecipado de, no mínimo, 70% do valor do frete ao caminhoneiro autônomo. O restante deverá ser quitado em até três dias úteis após a entrega da carga.

Durante a votação, o Senado retirou do texto a previsão de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas empregados em viagens de longa distância, incluída anteriormente pela Câmara dos Deputados. Os senadores entenderam que o tema não tinha relação direta com a medida provisória.

Foi mantido, no entanto, o trecho que prevê anistia às multas aplicadas a caminhoneiros e transportadoras que participaram dos bloqueios em rodovias após as eleições de 2022. Como a medida provisória será enviada à sanção, esse dispositivo ainda poderá ser vetado pelo presidente da República.

Na mesma sessão, o Senado concluiu a votação da PEC que estabelece aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. O texto fixa idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, com exigência de 25 anos de contribuição e de exercício na atividade. Para os servidores públicos da carreira, a proposta assegura aposentadoria com integralidade e paridade.

Como a PEC já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e não sofreu alterações no Senado, ela será promulgada pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial.

Durante a tramitação, estimativas apresentadas no debate apontaram que a nova regra poderá gerar impacto fiscal de aproximadamente R$ 30 bilhões ao longo de dez anos, tema que motivou discussões entre parlamentares e integrantes da equipe econômica. A aprovação da MP do Frete e da PEC dos agentes de saúde marcou uma sessão em que o governo garantiu a aprovação de uma pauta considerada prioritária, mas também viu avançar uma proposta com potencial de ampliar as despesas públicas.

Maria Pereira

Maria Pereira

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