Foto: 96 News
Em entrevista ao 96 News na manhã desta sexta-feira (31), a ex-deputada federal Rose Modesto defendeu uma atuação política baseada no diálogo, criticou a polarização ideológica e afirmou que a saúde pública é hoje o principal desafio de Mato Grosso do Sul. Ao longo da conversa, Rose procurou reforçar a imagem de uma liderança com trânsito em Brasília, experiência administrativa e capacidade de articulação para transformar demandas locais em resultados concretos. "A boa política, a gente tem que fazer com preparo, mas você tem que fazer também com boas relações, que senão você não consegue", afirmou.
Durante a entrevista, Rose destacou que sua passagem pela Câmara Federal, onde ocupou o cargo de terceira-secretária da Mesa Diretora, ajudou a consolidar relações com integrantes do primeiro e do segundo escalão do governo federal, especialmente técnicos responsáveis pela análise de projetos, convênios e investimentos para estados e municípios. Segundo ela, esse contato não se encerrou com o fim do mandato e segue sendo utilizado para defender interesses de Mato Grosso do Sul. A ex-parlamentar citou articulações recentes em cidades como Jardim, Três Lagoas e Bonito, principalmente na área da saúde, com ações voltadas à redução de filas e ao reforço de atendimentos especializados.
Ao falar sobre os entraves enfrentados pelos municípios, Rose afirmou que não basta apenas buscar recursos em Brasília, sendo necessário apresentar projetos bem estruturados e manter uma gestão organizada. Sem citar apenas disputas partidárias, ela fez uma crítica à dificuldade de Campo Grande em avançar em algumas frentes e associou parte desse problema à falta de planejamento e de eficiência administrativa. "O prefeito ou a prefeita, se não tiver uma gestão séria, competente, bons projetos, não consegue mesmo trazer dinheiro", declarou.
A saúde pública apareceu como eixo central da entrevista. Rose apontou o setor como o maior problema vivido atualmente por Campo Grande e pelo estado, citando o agravamento da crise hospitalar, a pressão sobre unidades de referência e a ausência de respostas rápidas por parte da administração pública. Ao mencionar o cenário da capital, ela lembrou problemas envolvendo a Santa Casa, o atendimento em saúde e a demora em decisões estratégicas da prefeitura. "Eu quero saber é como é que vai fazer para resolver o problema das pessoas", disse, ao cobrar que a política deixe de lado disputas vazias e se concentre em soluções práticas para a população.
Outro ponto forte da entrevista foi a crítica ao ambiente de radicalização política. Rose se definiu como alguém do campo de centro-direita, mas afirmou que sua posição está vinculada ao equilíbrio e à capacidade de conversar com diferentes correntes ideológicas. Para ela, a polarização entre esquerda e direita tem desviado a atenção dos temas prioritários e criado um ambiente improdutivo, em que muitos agentes públicos se preocupam mais com o confronto e com a repercussão nas redes sociais do que com entregas reais. "Eu tenho lado. Sim, é o lado do equilíbrio que consegue conversar, dialogar com todo mundo e encontrar bons projetos", afirmou.
Na avaliação da ex-deputada, políticos que fazem do mandato um espaço permanente de agressão acabam enfraquecendo o próprio estado que representam. Rose argumentou que Brasília concentra recursos importantes, mas que esses recursos não chegam por grito, ataque ou espetáculo ideológico, e sim por articulação, preparo e capacidade de negociação. "Brasília tem muito dinheiro, mas quem vai conseguir trazer esses recursos são os políticos mais preparados, que têm os melhores projetos e que conseguem dialogar", resumiu.
A entrevistada também falou sobre o cenário político nacional e sobre o posicionamento do União Brasil, partido ao qual é filiada. Disse que existe a possibilidade de neutralidade da legenda em determinados contextos, mas deixou claro que, pessoalmente, pretende apoiar Ronaldo Caiado, a quem classificou como uma liderança preparada e alinhada ao seu campo político. Rose justificou esse apoio com base em afinidade ideológica, no histórico de gestão do governador de Goiás e também em um sentimento de gratidão. "Quem confiou em mim aqui foi o Ronaldo Caiado. Então, a minha tendência é realmente caminhar com ele", declarou.
Em outro trecho da entrevista, Rose comentou a federação entre União Brasil e PP e procurou afastar interpretações de que isso significaria uma aproximação política com a prefeita Adriane Lopes. Ela foi enfática ao afirmar que a federação se limita à disputa eleitoral proporcional e não altera diferenças profundas de visão administrativa e política. "Eu não juntei com a Adriana e não vou juntar com a Adriana jamais", disse, ao reforçar que continuará fazendo cobranças à atual gestão municipal e se colocando, segundo ela, ao lado da população.
Rose ainda aproveitou a entrevista para relembrar ações de sua trajetória política, citando programas sociais, ampliação de bolsas universitárias, investimentos em comunidades vulneráveis e recursos destinados a hospitais e obras de infraestrutura em diferentes municípios. Ao mencionar emendas parlamentares para unidades como Santa Casa, Hospital Universitário, Hospital Regional e Hospital São Julião, ela procurou associar sua experiência política a entregas concretas e a resultados obtidos durante o mandato.
Ao fim da entrevista, ficou evidente a tentativa de Rose Modesto de ocupar um espaço de moderação num cenário marcado por tensões políticas, desgaste institucional e cobrança crescente por eficiência na gestão pública. Sua fala combina prestação de contas, posicionamento ideológico e defesa de uma política mais pragmática, centrada em saúde, articulação federativa e capacidade de diálogo. Mais do que marcar posição no debate público, a ex-deputada usou a entrevista para reforçar a ideia de que a população espera menos confronto e mais solução.
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