Foto: Divulgação
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni, defendeu o fortalecimento da segurança no campo, criticou decisões judiciais relacionadas a conflitos fundiários e reforçou a necessidade de medidas para apoiar produtores rurais durante entrevista ao 96 News nesta segunda-feira (20).
Bertoni explicou que a Famasul atua na representação política dos produtores rurais, enquanto o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) é responsável pela capacitação profissional e educacional no campo.
"O Senar cuida da parte educacional, oferecendo cursos técnicos, profissionalizantes e de artesanato. Já a Famasul faz a representatividade política e institucional do setor em todos os municípios do Estado", afirmou.
Durante a entrevista, o presidente da entidade demonstrou preocupação com episódios recentes de violência em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul. Ele citou ataques registrados em Caarapó e Sidrolândia, onde sedes de fazendas foram incendiadas.
Segundo Bertoni, apesar de reconhecer que os casos envolvem vítimas de ambos os lados, a violência não pode ser aceita como forma de resolver conflitos.
Ele também afirmou que algumas disputas históricas tiveram avanços por meio do diálogo, citando acordos firmados em Antônio João e Juti, mas defendeu maior efetividade do sistema de Justiça para coibir novos episódios.
Na avaliação do presidente da Famasul, a ausência de punição para crimes relacionados a conflitos fundiários pode estimular novas invasões e atos de violência.
Bertoni também criticou decisões judiciais que, segundo ele, limitam a atuação da Polícia Militar em determinadas ocorrências envolvendo conflitos agrários.
De acordo com o dirigente, a necessidade de atuação exclusiva da Polícia Federal ou da Força Nacional acaba dificultando uma resposta rápida, principalmente pela falta de efetivo e de uma base permanente da Força Nacional em Mato Grosso do Sul.
Outro tema abordado foi a situação financeira dos produtores rurais. Bertoni afirmou que a dificuldade enfrentada pelo setor não se restringe a Mato Grosso do Sul e também atinge estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e regiões do Nordeste.
Segundo ele, os produtores de médio porte são os que mais enfrentam dificuldades para renegociar dívidas.
O presidente citou a edição de uma medida provisória voltada ao setor, mas avaliou que as ações chegaram tardiamente para parte dos produtores.
Para Bertoni, o agronegócio movimenta uma ampla cadeia econômica que vai além das propriedades rurais, beneficiando transportadores, comerciantes, indústrias, prestadores de serviços e diversos segmentos da economia.
Ao comentar as medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, Bertoni afirmou que a principal preocupação do setor era com possíveis impactos sobre as exportações de proteínas animais.
Segundo ele, esse segmento não foi afetado pelas novas tarifas. O dirigente destacou ainda que alguns produtos anteriormente restritos passaram a ser liberados no mercado norte-americano, como café e mel, enquanto outros setores, como parte da cadeia da madeira e da celulose, ainda enfrentam restrições.
Na área ambiental, o presidente da Famasul destacou a participação da entidade na construção da Lei do Pantanal e na implantação do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
Segundo Bertoni, o programa remunera produtores que preservam áreas de vegetação nativa além do percentual exigido pela legislação, incentivando a conservação ambiental.
Ele também afirmou que o agronegócio brasileiro tem papel estratégico no processo de descarbonização global, contribuindo para o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis destinados à aviação e ao transporte marítimo, setores considerados grandes emissores de gases de efeito estufa.
Ao longo da entrevista, Marcelo Bertoni defendeu que o agronegócio seja tratado como um setor estratégico para a economia brasileira, ressaltando sua importância para a produção de alimentos, geração de empregos e desenvolvimento econômico do país.
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