Foto: 96 News
A sustentabilidade dos planos de saúde, o impacto do aumento dos custos assistenciais e os investimentos em tecnologia marcaram a entrevista do presidente da Cassems, Ricardo Ayache, ao programa 96 News. Durante a conversa, ele explicou os motivos do recente reajuste nas contribuições, apresentou os desafios enfrentados pela instituição e falou sobre os projetos para ampliar a qualidade do atendimento aos beneficiários.
Segundo Ayache, ao longo dos 25 anos de história da Cassems, a instituição passou por transformações importantes na gestão, transparência e inovação. No entanto, o crescimento das despesas com saúde obrigou a adoção de medidas para garantir a continuidade dos serviços.
"Nós precisávamos fazer um ajuste na contribuição, sempre preocupados com o acesso e com a capacidade de pagamento do servidor. Tivemos que escolher entre permitir que a Cassems continuasse avançando ou manter uma situação que já não era sustentável. Nos últimos cinco anos, os custos da saúde cresceram cerca de três vezes acima da inflação. É uma realidade mundial e precisávamos tomar essa decisão para preservar a instituição e continuar melhorando a qualidade da assistência", afirmou.
O presidente destacou que, mesmo após o reajuste, a Cassems continua apresentando um custo inferior ao de outros planos com padrão semelhante de atendimento.
"Quando comparamos a Cassems com planos de saúde de qualidade equivalente, ainda temos um custo médio cerca de 40% menor. Mesmo com esse ajuste, continuamos oferecendo o melhor custo-benefício do mercado", disse.
Ayache explicou que o equilíbrio financeiro da instituição é resultado de diversas medidas adotadas nos últimos anos para reduzir despesas e aumentar a eficiência da gestão.
"Conseguimos economizar cerca de R$ 100 milhões no ano passado, mas isso não foi suficiente para acompanhar o crescimento das despesas assistenciais. Fizemos investimentos em hospitais próprios, passamos a comprar medicamentos diretamente dos fabricantes, implantamos novos modelos de remuneração e até investimos em energia fotovoltaica para reduzir custos. Tudo isso ajudou a manter o plano competitivo por muitos anos."
Ele ressaltou que a evolução da medicina também contribuiu para o aumento dos gastos.
"Os materiais cirúrgicos ficaram mais caros, muitos são importados e dependem do dólar. Novos medicamentos para câncer e doenças reumatológicas têm custos muito elevados. Além disso, as pessoas vivem mais, utilizam mais os serviços de saúde e houve um crescimento importante nos atendimentos de pacientes com Transtorno do Espectro Autista. Tudo isso aumenta significativamente o custo da assistência."
Durante a entrevista, Ayache também destacou os avanços trazidos pelas chamadas canetas emagrecedoras, que, segundo ele, representam uma das maiores revoluções da medicina nas últimas décadas.
"Tenho 32 anos de medicina e nunca vi nada tão revolucionário quanto esses medicamentos. Eles melhoraram a qualidade de vida de pessoas com obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão e outras condições. Houve redução de aproximadamente 40% nas cirurgias bariátricas e o impacto vai além da saúde, influenciando até hábitos de consumo."
Outro destaque foi a expansão da estrutura hospitalar da Cassems em Mato Grosso do Sul. Atualmente, a instituição mantém hospitais em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá, oferecendo serviços de alta complexidade.
"O Hospital Cassems de Campo Grande tornou-se uma referência. Implantamos transplante de medula óssea, cirurgia cardíaca infantil, telemedicina e cirurgia robótica. Nosso objetivo sempre foi levar atendimento de qualidade também ao interior do Estado."
Para o futuro, Ricardo Ayache acredita que a inteligência artificial terá papel fundamental na transformação da assistência médica. Segundo ele, a integração das informações dos pacientes permitirá um atendimento mais eficiente e personalizado.
"Precisamos criar um prontuário único para que todos os profissionais tenham acesso ao histórico completo do paciente. Hoje, muitas vezes, cada especialista cuida apenas de uma parte da pessoa. Com a inteligência artificial e a integração dos dados, conseguiremos racionalizar os recursos, melhorar a regulação e oferecer uma assistência muito mais completa."
Ele afirmou que a tecnologia também deverá contribuir para reduzir filas e agilizar o acesso aos serviços de saúde.
"Queremos criar um ecossistema de saúde integrada, facilitando o acesso às consultas, exames e tratamentos. Em todas as nossas unidades buscamos oferecer especialistas e, quando isso não é possível, utilizamos teleconsultas e videoconferências. Sabemos que ainda enfrentamos dificuldades em períodos de epidemias, como dengue e viroses, mas trabalhamos continuamente para reduzir o tempo de espera."
Ao encerrar a entrevista, o presidente da Cassems reforçou que a integração entre tecnologia e assistência será essencial para enfrentar os desafios da saúde nos próximos anos.
"Os recursos são cada vez mais limitados. Precisamos romper com o modelo fragmentado de atendimento e construir um sistema mais integrado, utilizando a inteligência artificial para melhorar a qualidade da assistência e beneficiar toda a população."
E finaliza “Nós temos o melhor hospital de Mato Grosso do Sul, que é o Hospital Cassems de Campo Grande. É uma unidade reconhecida pela excelência e que já alcançou referência internacional. Isso é muito importante porque valoriza o nosso Estado, os nossos profissionais de saúde e garante atendimento de alta qualidade para milhares de sul-mato-grossenses. Temos muito orgulho dessa trajetória e seguimos avançando, investindo em tecnologia, inovação e na melhoria contínua da assistência aos nossos pacientes."
Comentários (0)
Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.
EntrarNão há comentários nesta matéria. Seja o primeiro a comentar!