Foto: Ilustração
Quem nunca recorreu a um pedaço de chocolate depois de um dia estressante? Mais do que uma simples vontade de comer doce, essa reação tem explicações que envolvem o funcionamento do cérebro e as memórias afetivas construídas ao longo da vida.
Em entrevista, a psicóloga e psicanalista Luiza Patusco explica que a textura e o sabor do chocolate despertam sensações agradáveis e podem remeter, de forma inconsciente, às primeiras experiências de acolhimento vividas na infância.
"O chocolate pode ocupar esse espaço de conforto porque ativa lembranças e sensações ligadas ao cuidado e à segurança. É uma busca por acolhimento que vem desde as primeiras fases do desenvolvimento", afirma.
Além do aspecto emocional, a especialista destaca que o chocolate amargo, com pelo menos 70% de cacau, também oferece benefícios do ponto de vista científico. Segundo ela, esse tipo de chocolate é rico em triptofano e flavonoides, substâncias que estimulam a produção de serotonina, neurotransmissor relacionado ao bem-estar, ao humor e à qualidade do sono.
Apesar disso, Luiza faz um alerta: quando o doce passa a ser a principal estratégia para lidar com a ansiedade, o comportamento pode se tornar prejudicial.
"O risco está na dependência desse efeito reconfortante. Se o chocolate virou uma fuga constante para aliviar a ansiedade e a pessoa percebe que perdeu o controle, é importante buscar ajuda profissional", orienta.
A recomendação é consumir o alimento com equilíbrio, dando preferência ao chocolate amargo e sem perder de vista a verdadeira origem do estresse ou da ansiedade.
"Da próxima vez que o estresse apertar, saboreie um quadradinho de chocolate com calma, mas não se esqueça de cuidar da raiz do problema", conclui a psicóloga.
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