O físico Francis Halzen recebeu o Prêmio Nobel de Física de 2026 por suas contribuições ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia produzidos por fenômenos astrofísicos.
Nascido na Bélgica e professor da Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos, Halzen ajudou a transformar o gelo profundo da Antártida em um dos maiores instrumentos científicos já construídos para observar partículas subatômicas.
Os neutrinos são partículas eletricamente neutras e com massa extremamente pequena. Como interagem muito pouco com a matéria, podem atravessar planetas, estrelas e o corpo humano sem deixar sinais perceptíveis. Essa característica explica o apelido de “partículas-fantasma”.
Embora sejam abundantes, os neutrinos de alta energia provenientes do espaço são muito difíceis de identificar. Para ampliar as possibilidades de detecção, o IceCube utiliza milhares de sensores instalados a mais de dois quilômetros de profundidade no gelo do Polo Sul.
Quando um neutrino raramente interage com um núcleo atômico, produz um pequeno clarão. Os sensores registram essa luz e permitem que os pesquisadores estimem a energia da partícula e a direção de onde ela veio.
A construção do observatório começou em 2004, e o IceCube entrou em operação em 2011. Dois anos depois, os pesquisadores anunciaram a detecção dos neutrinos mais energéticos já observados até então, fornecendo evidências de que essas partículas chegavam à Terra vindas de fontes distantes.
Em 2018, os dados permitiram relacionar neutrinos a um buraco negro supermassivo localizado em outra galáxia. Em 2023, o observatório produziu a primeira imagem da Via Láctea baseada em neutrinos, oferecendo uma nova maneira de estudar o Universo.
O trabalho de Halzen abriu caminho para a chamada astronomia de neutrinos. Diferentemente de partículas carregadas, que podem ser desviadas por campos magnéticos, os neutrinos viajam praticamente em linha reta. Por isso, ajudam os cientistas a procurar a origem de explosões estelares, buracos negros e outros eventos cósmicos extremos.
Halzen recebeu individualmente o prêmio de 12 milhões de coroas suecas. A pesquisa, entretanto, envolve uma colaboração internacional formada por centenas de cientistas, engenheiros e profissionais responsáveis pela operação do IceCube.
FONTE: Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos e Academia Real Sueca de Ciências.
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