Foto: Adriano Machado / Reusters
O governo do Paraguai convocou nesta quinta-feira (30), o embaixador do Brasil em Assunção para entregar uma nota oficial de protesto contra declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a Guerra da Tríplice Aliança. A medida representa um gesto diplomático de insatisfação e, ocorre após o governo paraguaio considerar que a fala distorce fatos históricos relacionados ao conflito.
O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano. Segundo ele, a decisão foi tomada para defender a dignidade e os interesses do país. O chanceler também informou que os presidentes Santiago Peña e Luiz Inácio Lula da Silva conversaram por telefone para tratar do assunto.
A repercussão teve início após um discurso de Lula, realizado no último dia 24 de julho, em Jacareí (SP). Ao defender investimentos na área de defesa, o presidente afirmou que o Brasil não pode esquecer que o Paraguai invadiu o território brasileiro, além de Uruguai e Argentina, dando início a uma guerra que durou cinco anos.
A declaração provocou reação no Paraguai. Na quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados paraguaia divulgou uma nota oficial criticando as afirmações de Lula. No documento, os parlamentares afirmam que a declaração simplifica um dos episódios mais marcantes da história do país e desconsidera o sofrimento humano e as consequências deixadas pela guerra.
Conhecida também como Guerra do Paraguai, a Guerra da Tríplice Aliança foi o maior conflito armado da história da América do Sul. O confronto ocorreu entre 1864 e 1870, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. O conflito resultou em grande devastação no território paraguaio, com perdas territoriais, destruição da infraestrutura e uma profunda crise demográfica, cujos impactos são lembrados até hoje pela população do país.
Até o momento, o governo brasileiro não havia divulgado manifestação oficial sobre a nota entregue pelas autoridades paraguaias.
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