No Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, médico alerta para importância do diagnóstico precoce e da prevenção

Doenças podem evoluir de forma silenciosa por anos e só serem descobertas em fases avançadas; especialista reforça importância da vacinação e dos testes disponíveis no SUS

No Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, médico alerta para importância do diagnóstico precoce e da prevenção

Foto: Ilustração

O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado nesta terça-feira (28), chama a atenção para uma doença que muitas vezes evolui de forma silenciosa e pode causar graves consequências à saúde. A data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objetivo de ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento das hepatites.

Segundo o médico infectologista Alexandre Bertucci, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), um dos principais desafios no combate às hepatites virais é justamente a falta de sintomas nas fases iniciais.

“As hepatites virais crônicas, principalmente pelos vírus das hepatites B e C, têm poucos sintomas e muitas vezes são assintomáticas. Por conta desse comportamento silencioso, muitas pessoas vivem com o vírus durante décadas sem suspeitar do diagnóstico e só descobrem quando o fígado já sofreu muito dano, com o surgimento de complicações graves como cirrose, insuficiência hepática ou câncer de fígado”, explicou.

O especialista destaca que o rastreamento é fundamental para identificar a doença antes que ela cause prejuízos maiores. As recomendações indicam que pessoas acima de 20 anos façam pelo menos uma testagem para hepatite B ao longo da vida. Para hepatite C, a orientação é que pessoas acima de 40 anos também realizem o rastreamento.

“A hepatite é uma doença silenciosa, por isso o rastreio é tão importante. Em pessoas que apresentam maior risco, a testagem recorrente é recomendada. Caso o resultado seja positivo, é fundamental procurar atendimento o mais rápido possível para iniciar o acompanhamento adequado”, afirmou o médico.

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem ser causadas pelos vírus A, B, C, D e E. Entre as formas mais comuns de transmissão das hepatites B e C estão o contato com sangue contaminado e as relações sexuais sem proteção.

De acordo com Alexandre Bertucci, alguns cuidados simples ajudam a reduzir os riscos de contaminação.

“As principais formas de transmissão para ambas as doenças ocorrem pelo contato com sangue contaminado e por relação sexual. Isso inclui compartilhar seringas, objetos de higiene pessoal como alicate de unha, escova de dente e aparelho de barbear, além de procedimentos como piercing e tatuagem em locais que não comprovam a biossegurança adequada”, explicou.

O médico também alerta para a importância de escolher estabelecimentos que sigam as normas de vigilância sanitária.

“É preciso observar se o local onde será feita uma tatuagem, um piercing ou até procedimentos de beleza, como manicure, segue corretamente as normas de esterilização. Também é importante não compartilhar objetos de uso pessoal”, orientou.

Entre as principais formas de prevenção está a vacinação. A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as faixas etárias.

“A vacinação contra a hepatite B é universal, gratuita e, uma vez que a pessoa está vacinada, ela fica protegida para o resto da vida. Já para a hepatite C ainda não existe vacina disponível, por isso os cuidados preventivos são fundamentais”, destacou Bertucci.

A testagem também é uma ferramenta importante para o diagnóstico precoce. No SUS, os exames podem ser realizados gratuitamente.

“A testagem é feita nas unidades básicas de saúde por meio de testes rápidos, com resultado no mesmo dia. Também pode ser realizada nos Centros de Testagem e Aconselhamento, os CTAs”, explicou.

O especialista ressalta que, atualmente, os tratamentos evoluíram e oferecem mais segurança e eficácia aos pacientes diagnosticados.

“Para a hepatite B, o tratamento é baseado em medicamentos muito potentes, com baixo risco de falha, que conseguem manter a supressão do vírus por muito tempo. É um tratamento seguro, com risco mínimo de resistência”, afirmou.

Já no caso da hepatite C, os avanços foram ainda mais significativos com a chegada dos medicamentos de ação direta.

“Essas medicações revolucionaram o tratamento da hepatite C. São remédios que cobrem vários tipos do vírus, administrados por via oral, em um período curto, geralmente entre 12 e 24 semanas, e que promovem a cura definitiva, o que chamamos de resposta virológica sustentada”, explicou.

Neste Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, a principal mensagem dos especialistas é que a informação e a prevenção continuam sendo as maiores ferramentas para combater a doença.

Com vacinação disponível, testes gratuitos e tratamentos eficazes, o diagnóstico precoce pode evitar complicações e garantir mais qualidade de vida aos pacientes.

 


Maria Pereira e Marina Gabriely

Maria Pereira e Marina Gabriely

Repórter e colaborador do portal.

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