Foto: 96 News
No Mês da Advocacia, o ex-presidente da OAB Mato Grosso do Sul e atual conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Mansur Elias Carmouche, fez um balanço dos desafios da profissão e defendeu uma advocacia cada vez mais comprometida com a sociedade, a inclusão e a preservação das garantias constitucionais diante dos avanços da inteligência artificial.
Durante entrevista, Carmouche ressaltou que a OAB tem papel que vai além da defesa dos interesses da categoria. Como exemplo, citou a atuação da entidade na suspensão da cobrança do IPTU acima dos índices considerados legais em Campo Grande, resultado que, segundo ele, demonstra a importância da Ordem na defesa dos direitos da população.
Ao relembrar sua gestão à frente da OAB-MS, destacou que uma das primeiras medidas foi ampliar a acessibilidade da instituição, com a instalação de plataformas de elevação para pessoas com deficiência, implantação de piso tátil e adequações estruturais para garantir atendimento igualitário. Segundo ele, a proposta era transformar a Ordem em um espaço mais acolhedor e acessível.
A gestão também ficou marcada pela ampliação das políticas de inclusão. Carmouche lembrou que foram implementadas medidas para aumentar a participação de mulheres, jovens advogados, negros e outros grupos na administração da entidade, além da expansão da estrutura da OAB no interior do Estado, fortalecendo o atendimento aos profissionais fora da Capital.
Outro tema abordado foi a atuação da Ordem durante a pandemia da Covid-19. O conselheiro afirmou que a rápida implantação de sessões virtuais, julgamentos remotos e investimentos em tecnologia permitiram manter o funcionamento da advocacia e garantir o acesso à Justiça mesmo durante o período de isolamento social.
Sobre o futuro da profissão, Carmouche apontou a inteligência artificial como o principal desafio da advocacia. Segundo ele, a tecnologia já transforma a rotina dos escritórios e do Judiciário, mas precisa ser utilizada de forma responsável e acompanhada de regulamentação.
O advogado alertou que grandes escritórios já vêm reduzindo equipes em razão da automação e defendeu que a OAB participe ativamente da construção de regras para o uso da inteligência artificial. Na avaliação dele, a ausência de limites pode comprometer postos de trabalho e reduzir a participação humana em atividades essenciais da Justiça.
Apesar dos avanços tecnológicos, Carmouche acredita que a advocacia continuará tendo como principal diferencial a capacidade humana de compreender conflitos, dialogar e construir soluções. Para ele, habilidades como empatia, ética, senso crítico e relacionamento interpessoal serão cada vez mais valorizadas em um cenário de transformação digital.
Durante a entrevista, o conselheiro também reforçou que as prerrogativas da advocacia não representam privilégios da categoria, mas garantias fundamentais para assegurar o direito de defesa dos cidadãos e o pleno funcionamento do Estado Democrático de Direito.
Encerrando a participação, Carmouche defendeu que a advocacia deve acompanhar a evolução tecnológica sem abrir mão da essência da profissão. Para ele, inovação e humanização precisam caminhar juntas para garantir que a Justiça continue sendo exercida com responsabilidade, equilíbrio e respeito aos direitos fundamentais.
Comentários (0)
Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.
EntrarNão há comentários nesta matéria. Seja o primeiro a comentar!