Mais de 11 mil mulheres registram casos de violência doméstica em MS no primeiro semestre

Levantamento aponta que filhos aparecem como autores de agressões com mais frequência do que namorados; Estado já contabiliza 14 feminicídios em 2026

Mais de 11 mil mulheres registram casos de violência doméstica em MS no primeiro semestre

Foto: Divulgação

Mais de 11 mil mulheres procuraram as forças de segurança após serem vítimas de violência doméstica em Mato Grosso do Sul no primeiro semestre de 2026. Os dados do Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), mostram que a maioria das agressões continua sendo praticada por pessoas com vínculo familiar ou afetivo com a vítima.

Entre os autores das ocorrências, os cônjuges lideram os registros, seguidos por conviventes. Um dado que chama atenção é o número de casos em que os filhos aparecem como agressores, superando os registros envolvendo namorados. Foram 5.242 ocorrências atribuídas a filhos, contra 3.697 envolvendo namorados.

O levantamento também revela que a maior parte das vítimas tem entre 30 e 59 anos. As mulheres de 18 a 29 anos formam o segundo maior grupo, seguidas por idosas. Casos envolvendo adolescentes e crianças representam uma parcela menor das notificações.

Os números indicam crescimento gradual dos registros nos últimos anos. Em 2023, foram contabilizadas 20.118 vítimas de violência doméstica. O total subiu para 21.211 em 2024 e alcançou 22.291 em 2025, maior índice da série histórica. Neste ano, já são 11.098 vítimas apenas nos seis primeiros meses, o que pode manter o volume de ocorrências em patamar semelhante ao do ano passado.

Além dos casos de violência doméstica, Mato Grosso do Sul registra 14 feminicídios em 2026. O caso mais recente ocorreu em Fátima do Sul, onde uma mulher de 29 anos morreu após ser esfaqueada durante uma discussão com o namorado. O suspeito foi preso em flagrante.

Especialistas apontam que a violência doméstica não se restringe às relações conjugais, podendo envolver diferentes integrantes da família. Os dados reforçam a importância da denúncia e do fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres e de prevenção à violência dentro do ambiente familiar.

Maria Pereira

Maria Pereira

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