Juíza explica como Conecta Promuse vai agilizar a proteção às mulheres vítimas de violência

Nova plataforma digital substitui registros em papel, agiliza a análise de casos e fortalece a rede de proteção às mulheres em Mato Grosso do Sul

Juíza explica como Conecta Promuse vai agilizar a proteção às mulheres vítimas de violência

Foto: 96 News

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) realiza nesta segunda-feira (13) a solenidade de lançamento do Conecta Promuse, sistema que integra o Programa Mulher Segura (Promuse) às plataformas do Poder Judiciário e das forças de segurança. A ferramenta foi desenvolvida para dar mais agilidade ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica, facilitar o acompanhamento das medidas protetivas e fortalecer a atuação da rede de proteção.

Em entrevista a radio 96,7 News, a juíza auxiliar da Presidência do TJMS, Joseliza Alessandra Vanzela Turine, explicou que a iniciativa é resultado do trabalho de integração iniciado pelo Tribunal no ano passado.

"Desde o ano passado, o Tribunal de Justiça iniciou uma integração com o sistema de segurança pública. Quando a vítima registra a ocorrência na delegacia, essa informação passa a chegar eletronicamente e de forma imediata ao Judiciário. O que antes demorava e muitas vezes era feito em papel, hoje chega rapidamente ao magistrado para análise da medida protetiva", afirmou.

Segundo a magistrada, esse processo reduziu significativamente o tempo entre o registro da ocorrência e a decisão judicial, permitindo que as medidas protetivas sejam cumpridas com maior rapidez, inclusive durante os plantões, com apoio da Polícia Militar.

O novo sistema também moderniza o trabalho realizado pelas equipes do Promuse. Antes, os atendimentos eram registrados manualmente e o processamento das informações era feito posteriormente. Com o Conecta Promuse, todo o fluxo passa a ser digital.

"Antes era tudo no papel. Agora, é tudo feito pelo aplicativo e conectado pela rede de celular. Mesmo quando o policial atua em uma área sem internet, ele registra as informações e, assim que o aparelho volta a ter conexão, os dados são enviados automaticamente para o sistema", explicou.

Além de acelerar o atendimento, a plataforma permite que os policiais classifiquem imediatamente o grau de risco da vítima, encaminhando automaticamente os casos mais graves ao Poder Judiciário.

"Hoje conseguimos gerar dados eletronicamente e de forma instantânea. O sistema faz a coleta das informações, classifica o risco e ainda permite o mapeamento dos crimes, tornando mais eficiente a atuação da rede de proteção", destacou a juíza.

Implantado inicialmente em maio, o sistema já está em funcionamento em Campo Grande e em Amambai. A expectativa é que, nos próximos meses, seja expandido para os demais municípios de Mato Grosso do Sul.

Para Joseli Turine, a tecnologia representa um importante reforço à segurança das mulheres, mas o combate à violência doméstica depende de uma atuação conjunta.

"Muitas mulheres acreditam que apenas a medida protetiva não é suficiente para protegê-las. Na verdade, ela faz parte de um conjunto de ações envolvendo o Judiciário, as forças de segurança e toda a rede de atendimento à mulher", afirmou.

A magistrada também defendeu que o enfrentamento à violência deve começar pela educação.

"A educação começa dentro de casa, ensinando aos filhos a igualdade de direitos. Precisamos romper a cultura do machismo estrutural e fortalecer ações de prevenção para reduzir a violência contra a mulher", concluiu.

Maria Pereira

Maria Pereira

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Entrar

Não há comentários nesta matéria. Seja o primeiro a comentar!

Antena 1
Antena 1 Campo Grande