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Irã e Omã estão próximos de concluir um novo acordo para permitir a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo. A informação foi divulgada neste sábado (8) pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.
Segundo o chanceler, as negociações avançaram e preveem inicialmente a criação de uma rota temporária para a circulação de embarcações, enquanto questões técnicas e jurídicas são analisadas para a definição de uma rota permanente.
O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o mercado mundial de energia. Cerca de 20% do comércio global de petróleo passa pela região, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.
Na sexta-feira (7), um funcionário do governo dos Estados Unidos afirmou à Reuters que Washington esperava um entendimento entre Irã e Omã que possibilitasse a retomada do tráfego regular de embarcações e dos embarques de petróleo. Segundo o representante americano, os Estados Unidos poderiam suspender o bloqueio aos portos iranianos depois que fosse anunciado um acordo capaz de garantir a navegação comercial sem impedimentos.
Apesar do avanço nas conversas com Omã, o governo iraniano afirma que a reabertura do estreito dependerá de outras condições. Araqchi declarou que Teerã pretende exigir, entre outros pontos, uma compensação pelo que considera uma violação dos Estados Unidos ao Memorando de Entendimento de Islamabad.
O documento foi firmado em 17 de junho com o objetivo de reduzir as tensões e contribuir para um cessar-fogo no Oriente Médio. Pouco tempo depois, porém, o entendimento passou a ser questionado em meio às divergências envolvendo a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos na região.
A crise provocou uma série de ameaças e acusações de descumprimento entre Washington e Teerã. No início de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter suspendido um novo ataque contra o Irã após declarar que países do Oriente Médio haviam apresentado termos para um possível acordo.
O governo iraniano, entretanto, negou que estivesse mantendo negociações diretas com os Estados Unidos. Teerã afirmou que as conversas em andamento eram exclusivamente com Omã e tinham como objetivo discutir a gestão conjunta do Estreito de Ormuz.
Enquanto as negociações avançam, o tráfego de navios pela região permanece reduzido. Neste sábado (8), os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de atacar um navio-tanque ligado à estatal de petróleo ADNOC enquanto a embarcação atravessava o estreito.
De acordo com informações divulgadas pela agência estatal WAM, o navio teria sido atingido por um míssil durante a madrugada. A situação foi controlada e não houve registro de feridos.
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados condenou o episódio e acusou a Guarda Revolucionária do Irã de realizar ações contra embarcações comerciais. O governo dos EAU também pediu o fim dos ataques e a reabertura completa da passagem marítima.
A Guarda Revolucionária do Irã, por sua vez, afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz depende da aceitação, por parte de Washington, das condições estabelecidas pelo governo iraniano. O porta-voz da organização, Hossein Mohebbi, declarou que a questão não estaria diretamente relacionada às negociações entre Irã e Omã.
O representante também afirmou que os Estados Unidos precisam deixar de interferir no processo de negociação regional. As demais condições apresentadas por Teerã, no entanto, não foram detalhadas.
O governo americano mantém a posição de que não aceitará que o Irã tenha controle sobre o acesso à principal rota marítima utilizada para o transporte de energia na região.
A redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz tem impacto direto sobre o mercado internacional. Como a passagem é fundamental para o transporte de petróleo e derivados, uma interrupção prolongada pode comprometer a oferta mundial de energia, elevar os preços e aumentar as pressões inflacionárias.
Durante o período de tensão, o Irã passou a cobrar taxas de passagem de alguns navios-tanque e restringiu a circulação de embarcações que não obtivessem autorização para atravessar a região. As medidas contribuíram para a queda dos embarques e aumentaram a preocupação dos mercados com o abastecimento de petróleo.
Uma retomada da navegação comercial pelo Estreito de Ormuz é considerada um dos pontos importantes para reduzir a pressão sobre o mercado de energia e diminuir as tensões entre Irã, Estados Unidos e outros países envolvidos no conflito no Oriente Médio.
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