Foto: Divulgação
O Brasil enfrenta um cenário de alerta relacionado às intoxicações por diferentes substâncias. Dados recentes apontam recorde nas notificações envolvendo agrotóxicos, enquanto os medicamentos permanecem entre os principais agentes responsáveis por intoxicações e também geram milhares de internações no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2025, o país registrou 9.729 casos de intoxicação não intencional por agrotóxicos, o maior número desde 2015. O resultado representa uma média de aproximadamente 27 ocorrências por dia e uma alta de 84% em dez anos.
O problema também apresenta forte concentração em regiões de expansão agrícola. No Pará, levantamentos apontam aumento de 150% nas notificações em cinco anos em áreas relacionadas à produção de soja e milho. Em alguns municípios do estado, o crescimento registrado foi ainda mais expressivo.
Outro ponto de preocupação são as intoxicações provocadas por medicamentos. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 14 mil pessoas foram internadas no SUS por intoxicação medicamentosa em 2022. O número foi 18% maior que o registrado no ano anterior.
Os medicamentos estão entre os principais agentes tóxicos relacionados às intoxicações exógenas no país. O Ministério da Saúde inclui nessa categoria situações provocadas por medicamentos, agrotóxicos, raticidas, produtos químicos, produtos de uso doméstico e outras substâncias capazes de causar danos à saúde.
Além das internações, o uso inadequado de medicamentos também representa uma demanda significativa para os serviços de saúde. Estimativas citadas em levantamentos nacionais apontam que cerca de 1,7 milhão de brasileiros procuram atendimento médico anualmente por reações adversas ou interações medicamentosas.
Entre as crianças, os acidentes domésticos são uma preocupação importante. A exposição pode ocorrer pela ingestão acidental de medicamentos ou produtos químicos deixados ao alcance, especialmente entre os menores de idade.
Os dados mostram que o problema das intoxicações vai além do campo agrícola e envolve diferentes situações de exposição. Por isso, o acompanhamento das notificações é utilizado pelas autoridades de saúde para identificar grupos vulneráveis, regiões de maior risco e orientar medidas de prevenção e atendimento.
Em casos de suspeita de intoxicação, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. Não se deve provocar vômito ou tentar administrar substâncias por conta própria, já que a conduta adequada depende do produto envolvido, da quantidade e das condições da pessoa intoxicada.
Comentários (0)
Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.
EntrarNão há comentários nesta matéria. Seja o primeiro a comentar!