Foto: Divulgação
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, de 60 anos, sofreu um infarto na manhã desta quarta-feira (01), enquanto estava custodiado no Presídio Militar, e foi transferido às pressas para a Santa Casa da Capital. Após passar por um cateterismo, exames apontaram um quadro grave de doença coronariana. Segundo a defesa, ele será submetido a uma cirurgia cardíaca para implantação de seis stents.
Bernal está preso preventivamente desde março deste ano, acusado de matar o fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini. A Justiça já decidiu que ele será submetido a júri popular. A defesa sustenta que o ex-prefeito agiu em legítima defesa, enquanto o Ministério Público afirma que o crime teve motivação ligada a uma disputa pela posse de um imóvel. Horas antes da internação, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve a prisão preventiva de Bernal.
Retrospectiva política
A internação ocorre em um momento delicado da trajetória de Bernal, marcada por disputas políticas e judiciais desde que ingressou na vida pública.
Advogado, radialista e apresentador de televisão, Bernal ganhou projeção nos meios de comunicação antes de entrar para a política. Em 2008, foi eleito vereador de Campo Grande, adotando um discurso voltado ao combate à corrupção e à fiscalização da administração pública.
Em 2012, venceu as eleições para a Prefeitura de Campo Grande, encerrando um longo período de domínio dos grupos políticos tradicionais na administração da Capital. A vitória foi considerada uma das maiores surpresas da política sul-mato-grossense.
O mandato, no entanto, foi marcado por uma intensa crise política. Em março de 2014, pouco mais de um ano após tomar posse, Bernal teve o mandato cassado pela Câmara Municipal sob a acusação de irregularidades político-administrativas. A decisão provocou forte polarização política e deu início a uma longa batalha judicial.
Ao longo dos meses seguintes, decisões judiciais alternaram seu retorno e afastamento do cargo. Em 2015, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou sua recondução definitiva à Prefeitura, onde permaneceu até o fim do mandato, em 2016.
Desde a cassação, Bernal sempre afirmou que foi alvo de uma articulação política para retirá-lo do comando do Executivo municipal. Seus apoiadores sustentam que o processo teve motivação política e representou uma perseguição após sua eleição.
Em 2018, Bernal voltou às urnas e foi eleito deputado estadual. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, exerceu mandato entre 2019 e 2023, com atuação voltada principalmente à fiscalização do poder público, saúde e defesa do consumidor.
Ao longo da carreira, Bernal ocupou os cargos de vereador, prefeito e deputado estadual, tornando-se um dos personagens mais conhecidos e controversos da política sul-mato-grossense. Sua trajetória é marcada por vitórias eleitorais, disputas judiciais e embates políticos que voltam a ganhar destaque diante da atual situação de saúde e do processo criminal ao qual responde.
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