Doenças cardiovasculares tiram a vida de 400 mil brasileiros por ano

Especialista Dr. João Jackson Duarte defende prevenção para mudar esse cenário

Doenças cardiovasculares tiram a vida de 400 mil brasileiros por ano

Foto: Dr. João Jackson Duarte - Cardiologista / 96 News

As doenças cardiovasculares seguem como a maior causa de mortes no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 400 mil brasileiros morrem todos os anos em decorrência de problemas no coração e na circulação, o equivalente a uma morte a cada 90 segundos. Os dados também mostram que essas enfermidades respondem por aproximadamente 30% de todos os óbitos registrados no país, reforçando a necessidade de ampliar a prevenção e o diagnóstico precoce.

Para o cardiologista e cirurgião cardiovascular Dr. João Jackson Duarte, esse número impressiona, mas não pode ser analisado de forma isolada. Segundo ele, as doenças cardiovasculares representam o resultado de anos de exposição a fatores de risco que poderiam ser controlados.

"É um dado que impressiona à primeira vista, mas precisamos entender o conceito da doença cardiovascular. Ela não surge de uma hora para outra. Na verdade, é o resultado de um problema que vem se arrastando durante muitos anos. Na grande maioria das vezes, ela é consequência do estilo de vida e, por isso, pode ser prevenida", afirmou.

O especialista explica que a mudança no comportamento da sociedade teve impacto direto no aumento das cardiopatias. O sedentarismo, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, a obesidade, a ansiedade, o estresse e a má qualidade do sono criaram um ambiente favorável para o desenvolvimento de doenças como hipertensão, diabetes, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

"A evolução da sociedade mudou completamente nossa rotina. Hoje passamos horas sentados em escritórios, temos menos atividade física, mais pressão no trabalho, mais ansiedade e acesso facilitado a alimentos industrializados. Tudo isso interfere diretamente na saúde cardiovascular", destacou.

Durante a entrevista, João Jackson explicou que a principal doença por trás da maioria dos infartos e AVCs é a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias. Segundo ele, esse processo é influenciado por três pilares principais: inflamação, alterações metabólicas e distúrbios relacionados ao colesterol.

"Quando falamos em doença cardiovascular, estamos falando principalmente da formação de placas de aterosclerose. A prevenção passa pelo controle da inflamação, do metabolismo e das alterações do colesterol. Não existe uma única medida capaz de proteger o coração; é preciso cuidar do conjunto", ressaltou.

O médico também chamou atenção para um dado preocupante: muitos pacientes descobrem que têm problemas cardíacos apenas após sofrerem um infarto.

"Mais da metade dos infartos acontece em pessoas que nunca tiveram sintomas e acreditavam estar saudáveis. Por isso, identificar os fatores de risco antes que a doença se manifeste é fundamental", explicou.

Segundo o cardiologista, exames preventivos podem identificar alterações precoces e permitir intervenções antes do surgimento de complicações graves. Ele destaca que apenas exames tradicionais, como eletrocardiograma e teste ergométrico, nem sempre conseguem detectar a doença em estágios iniciais, sendo necessária uma avaliação individualizada conforme o perfil de cada paciente.

Outro tema abordado foi o avanço das chamadas canetas emagrecedoras. Desenvolvidos inicialmente para o tratamento da obesidade e do diabetes, esses medicamentos têm demonstrado benefícios também na redução do risco de eventos cardiovasculares em pacientes com indicação médica.

No entanto, João Jackson alerta que esses medicamentos não devem ser encarados como solução isolada nem utilizados apenas por razões estéticas.

"Uma coisa não substitui a outra. O tratamento medicamentoso pode complementar a prevenção, mas ele precisa estar associado à alimentação saudável, atividade física, controle do peso, do diabetes, da pressão arterial e do colesterol", afirmou.

O especialista também destacou a importância de combater fatores de risco antes que eles provoquem danos permanentes ao organismo. Entre eles estão obesidade, diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e excesso de gordura abdominal.

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a saúde cardiovascular da mulher. O médico explicou que o hormônio estrogênio oferece proteção natural ao coração durante a fase reprodutiva, mas esse benefício diminui após a menopausa, quando cresce a incidência de doenças cardiovasculares entre as mulheres. Ele também lembrou que estudos apontam uma associação entre a amamentação e a redução do risco cardiovascular ao longo da vida, reforçando a importância do Agosto Dourado na promoção da saúde materno-infantil.

Ao final da entrevista, o cardiologista reforçou que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir o número de mortes no país.

"As doenças cardiovasculares são, em grande parte, evitáveis. Quanto mais cedo a pessoa adotar hábitos saudáveis, controlar seus fatores de risco e realizar acompanhamento médico, maiores são as chances de envelhecer com um coração saudável e evitar complicações graves", concluiu.

 


Maria Pereira

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