Dia Mundial do Rock: cena de Campo Grande se reinventa e mantém o gênero vivo

Da resistência dos anos 1990 às bandas independentes da nova geração, capital sul-mato-grossense fortalece uma cena autoral que mistura tradição, diversidade e novos públicos

Dia Mundial do Rock: cena de Campo Grande se reinventa e mantém o gênero vivo

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Celebrado em 13 de julho, o Dia Mundial do Rock é uma oportunidade para lembrar a força de um gênero que marcou gerações. Em Campo Grande, a história do rock vai além da nostalgia. A cidade consolidou uma cena própria ao longo das últimas décadas e hoje vive uma nova fase, impulsionada por bandas independentes, coletivos culturais e espaços dedicados ao estilo.

Nas décadas passadas, casas noturnas lotadas e festivais históricos ajudaram a consolidar a identidade do rock na Capital. A influência das raízes caipiras e pantaneiras também contribuiu para criar uma sonoridade própria, misturando elementos regionais às diferentes vertentes do gênero.

O público segue fiel. Um exemplo recente foi o show da banda norte-americana Guns N' Roses, realizado no Autódromo Internacional Orlando Moura, que reuniu milhares de fãs e reforçou a força do rock em Mato Grosso do Sul.

Além dos grandes eventos, Campo Grande conta atualmente com mais de 20 bares voltados ao público roqueiro, espalhados por diferentes regiões da cidade. A concentração de estabelecimentos na Rua do Rock, na Chácara Cachoeira, transformou o local em um dos principais pontos de encontro dos amantes do gênero.

Para quem viveu o início da cena, o caminho até aqui foi marcado por desafios. Fundado em 1995, o Bando do Velho Jack tornou-se uma das principais referências do rock sul-mato-grossense. O guitarrista Fábio Terra, conhecido como Corvo, afirma que o cenário mudou profundamente, mas continua forte.

Segundo ele, o rock encontrou novos espaços dentro do movimento independente. Coletivos como o MS Mais Underground têm contribuído para profissionalizar a cena autoral de punk, hardcore, metal e indie, aproximando também um público cada vez mais jovem.

A renovação também passa pela diversidade. Formada majoritariamente por mulheres, a banda Mystical Perversions conquistou espaço na cena local e representa uma nova geração de artistas. A baixista Myllena Araujo destaca que fazer música autoral ainda exige dedicação, mas acredita que os jovens seguem conectados ao rock e interessados em produzir novas sonoridades.

Para ela, a paixão de quem acompanhou os anos de ouro do gênero, somada ao entusiasmo das novas bandas, mostra que o rock campo-grandense não envelheceu. Apenas encontrou novos caminhos para continuar vivo, conquistando novos públicos e fortalecendo uma cena que segue em constante transformação.

Maria Pereira e Marina Gabriely

Maria Pereira e Marina Gabriely

Repórter e colaborador do portal.

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