Foto: Reprodução
Caracas e La Guaira, na Venezuela, enfrentam agora um novo desafio após os terremotos registrados no dia 24 de junho de 2026: o risco de surtos de doenças. Com grande parte da rede de abastecimento de água e esgoto destruída, a população não tem acesso regular a água potável — condição que favorece o aparecimento de enfermidades como cólera e febre tifoide, o que pode agravar ainda mais a emergência.
Segundo Fabio Biolchini, coordenador de operações de Médicos Sem Fronteiras (MSF) para América Latina e Caribe, “as pessoas não têm fontes seguras de água nem para beber, nem para higiene pessoal”. O sistema de saúde local, que já operava no limite, sofreu danos em suas unidades e enfrenta dificuldade para atender à demanda crescente.
Até o momento, o desastre já deixou 2.295 mortos, mais de 11 mil feridos e milhares de pessoas desaparecidas. Muitas famílias permanecem desabrigadas, e as réplicas dos tremores continuam a gerar insegurança.
Além dos riscos físicos, Biolchini alerta para o impacto psicológico: “É um evento traumático que vai marcar uma geração. Milhares perderam familiares, casas e sua referência de vida”.
Nesta quarta-feira (01/07), equipes da MSF iniciaram atendimento médico e psicológico em uma clínica móvel em Naiguatá, uma das regiões mais afetadas de La Guaira. A organização também doou suprimentos suficientes para atender cerca de 4 mil pacientes em hospitais de Caracas e La Guaira, além de fornecer insumos para o manejo adequado dos corpos no necrotério central. O trabalho segue em parceria com autoridades locais.
(Imagem: La Guaira após terremotos de 24 de junho de 2026, na Venezuela. ©Mariana Zupo/MSF)
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