Foto: 96 News
Mato Grosso do Sul vive um período de atenção para os incêndios florestais, especialmente no Pantanal, onde as condições climáticas favorecem o avanço do fogo. Em entrevista à 96 News, o coronel QOBM Frederico Reis Pouso Salas afirmou que o Corpo de Bombeiros Militar está preparado para enfrentar a temporada, mas reforçou que a prevenção continua sendo a principal aliada no combate às queimadas.
Segundo o comandante, atualmente 107 homens e mulheres atuam diretamente no Pantanal, monitorando e combatendo focos de incêndio.
"Temos 107 homens e mulheres que estão no Pantanal. Tivemos um grande fogo que avançou para a Bolívia no começo da semana, mas estamos preparados. A previsão é de um ano atípico e podemos ter muitos incêndios florestais."
Aprendizados após a tragédia de 2020
O coronel destacou que os incêndios históricos registrados em 2020 mudaram completamente a forma de atuação da corporação. Desde então, houve investimentos em tecnologia, ampliação do efetivo, aquisição de equipamentos especializados e fortalecimento da estrutura operacional.
"Depois do incêndio de 2020 evoluímos em vários aspectos: na utilização de ferramentas tecnológicas, na contratação de novos bombeiros, na aquisição de equipamentos especializados, no volume de investimentos do Governo do Estado e nas estratégias de combate."
Uma das principais mudanças foi a criação de 11 bases avançadas de monitoramento no Pantanal, implantadas a partir de 2024.
"Antes demorávamos de dois a três dias para chegar ao local do incêndio no Pantanal. Hoje temos 11 bases espalhadas pela região, com homens e mulheres trabalhando 24 horas por dia. Aprendemos com 2020 que a maior dificuldade era chegar e permanecer no local. Agora conseguimos responder muito mais rapidamente."
Maioria dos incêndios começa por ação humana
Apesar das condições climáticas favorecerem a propagação do fogo, o coronel afirma que a maior parte dos focos tem origem em ações humanas.
"A grande maioria dos focos de calor que monitoramos desaparece no dia seguinte, o que demonstra que houve intervenção humana. Muitas vezes não é por maldade, mas por limpeza de terrenos, manejo de lixo ou uma prática cultural. A maioria dos incêndios é causada por hábitos das pessoas."
Ele lembra que a legislação restringe o uso do fogo, principalmente durante períodos críticos e quando há decreto de emergência.
"Em regra, não pode colocar fogo. Durante o período restritivo e após decreto emergencial do Governo do Estado, esse manejo é proibido. Mas sabemos que, nos rincões do Pantanal, ainda existe essa prática cultural."
Além do combate às chamas, o Corpo de Bombeiros realiza ações preventivas durante o período chuvoso.
"Nós temos quatro fases de atuação no incêndio florestal. Uma delas é a fase orientativa e educacional. Nessa época do ano nossas equipes vão às comunidades para oferecer educação ambiental e conscientizar sobre o manejo correto do fogo."
Queimadas urbanas preocupam pela fumaça
O comandante explicou que, embora as condições climáticas desta quinta-feira estejam mais favoráveis, o cenário pode mudar rapidamente.
"Ontem tínhamos temperaturas acima de 30 graus, baixa umidade do ar e ventos superiores a 30 quilômetros por hora, um cenário muito favorável para os incêndios. Hoje está mais tranquilo."
No entanto, ele alerta que os incêndios em áreas urbanas trazem riscos ainda maiores para a saúde pública.
"Quando falamos de incêndios urbanos, a preocupação é com a fumaça próxima de casas, hospitais e postos de saúde. Muitas vezes a pessoa coloca fogo no lixo, acende um cigarro e vai embora, sem imaginar a proporção que aquilo pode tomar."
O coronel orienta que qualquer foco de incêndio seja comunicado imediatamente aos bombeiros.
"Quando alguém vir um fogo, por menor que seja, deve chamar os bombeiros. O vento pode levar esse fogo rapidamente para uma residência. O incêndio se espalha muito rápido e nós precisamos direcionar nossas equipes para os locais de maior gravidade."
Férias escolares aumentam risco de afogamentos
Durante a entrevista, o comandante também fez um alerta sobre os acidentes em rios, córregos e piscinas durante o período de férias escolares.
Segundo ele, somente no último fim de semana três pessoas morreram afogadas em ocorrências registradas nas proximidades de Campo Grande.
"Agora nas férias muitas crianças vão para rios e córregos sem saber nadar. E isso não acontece apenas com crianças. Muitos adultos também entram na água sem saber nadar, misturam bebida alcoólica e não conhecem o local. Essa combinação não dá certo."
"Só neste fim de semana tivemos três ocorrências de afogamento próximas de Campo Grande. Foram três vidas perdidas apenas porque as pessoas foram tomar banho de rio."
Bombeiros reforçam orientações à população
Ao final da entrevista, o coronel Frederico Reis Pouso Salas reforçou que o Corpo de Bombeiros permanece de prontidão para atender toda a população sul-mato-grossense e pediu a colaboração da sociedade.
"O Corpo de Bombeiros está à disposição de todos os sul-mato-grossenses. Somos uma corporação que trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana. Aproveito para agradecer aos nossos militares, homens e mulheres, que dedicam suas vidas para proteger as pessoas."
Ele lembra que, em qualquer situação de dúvida ou emergência, a população pode acionar o telefone 193.
"Na dúvida, ligue para o 193. Você será orientado e, se necessário, atendido pelo Corpo de Bombeiros."
Por fim, o comandante reforçou as recomendações para este período de férias.
"Não ateie fogo em lixo ou terrenos. A fumaça provoca um grande problema de saúde pública. Em rios e piscinas, nunca entre na água após consumir bebida alcoólica, evite locais desconhecidos e mantenha as crianças sempre sob a supervisão de um adulto responsável. O Corpo de Bombeiros é por todos vocês."
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