Colômbia segue no segundo dia de buscas após terremoto que deixou 254 mortos

Tremor atingiu o país na segunda-feira (10), provocou desabamentos, deixou mais de 500 feridos e mobilizou Exército e equipes de resgate; cerca de 3 mil pessoas são consideradas desaparecidas

Colômbia segue no segundo dia de buscas após terremoto que deixou 254 mortos

Foto: Divulgação

A Colômbia entrou nesta terça-feira (11) no segundo dia de uma grande operação de busca e resgate após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na manhã de segunda-feira (10). O desastre deixou pelo menos 254 mortos, mais de 500 feridos e dezenas de construções destruídas ou severamente danificadas. Segundo informações da Associated Press, cerca de 3 mil pessoas ainda eram consideradas desaparecidas.

O epicentro foi localizado nas proximidades de San José del Palmar, no oeste colombiano. O tremor ocorreu às 9h34 no horário de Brasília, 7h34 no horário local, e foi considerado o terremoto mais forte registrado na Colômbia neste século.

As áreas mais atingidas incluem Cali, Pereira e Manizales. Em diferentes pontos dessas cidades, prédios sofreram desabamentos e danos estruturais, deixando moradores presos entre os escombros.

Em Cali, uma das localidades mais afetadas, pelo menos 20 estruturas foram destruídas, segundo as autoridades. O principal hospital público da cidade também teve aproximadamente 70% de sua infraestrutura comprometida, dificultando o atendimento às vítimas justamente em meio ao aumento da demanda.

As equipes de emergência continuam trabalhando na retirada de pessoas dos locais atingidos. Bombeiros, socorristas, voluntários e moradores participam das operações, enquanto equipamentos pesados são utilizados para acessar áreas onde ainda pode haver sobreviventes.

Em Pereira, capital do departamento de Risaralda, autoridades relataram um cenário crítico, com feridos e pessoas ainda presas sob os escombros. Em Manizales, parte de uma das torres da catedral da cidade se desprendeu após o tremor.

O forte abalo também provocou danos em imóveis e espalhou o medo entre moradores. Muitas pessoas deixaram suas casas e permaneceram nas ruas por receio de novos tremores. Em algumas regiões, o trânsito ficou comprometido devido à quantidade de pessoas que buscavam deixar as áreas afetadas.

Na capital Bogotá, prédios foram evacuados e centenas de pessoas saíram às ruas durante o terremoto. Até o momento, porém, os danos registrados na cidade foram considerados menos graves, com relatos principalmente de rachaduras superficiais em imóveis.

Diante da dimensão da tragédia, o governo colombiano declarou situação de emergência e mobilizou diferentes estruturas do Estado para atuar no atendimento às comunidades afetadas. Soldados e engenheiros militares foram enviados para cinco departamentos considerados entre os mais atingidos, com a missão de auxiliar nas operações de resgate e avaliação dos danos.

O terremoto também provocou preocupação por lembrar a tragédia de 1999, quando um forte tremor atingiu a região cafeeira colombiana e deixou quase 1.200 mortos.

O abalo desta segunda-feira foi sentido além das áreas próximas ao epicentro. Moradores de Quito, no Equador, relataram o tremor, assim como pessoas em diferentes regiões do Panamá, da Venezuela e do Brasil.

A comunidade internacional também começou a oferecer apoio à Colômbia. Governos do México, Chile e El Salvador se colocaram à disposição para ajudar nas operações. Israel também ofereceu assistência. A União Europeia informou que mobilizou o sistema de satélites Copernicus para auxiliar na identificação das áreas atingidas e apoiar os trabalhos de emergência.

A cantora colombiana Shakira também se manifestou nas redes sociais e prestou solidariedade às famílias afetadas pela tragédia.

O terremoto teve ainda consequências no calendário esportivo do país. Partidas de futebol que estavam previstas para esta semana foram adiadas devido à situação de emergência. Entre os eventos afetados estão dois jogos envolvendo equipes colombianas pelas Copas Libertadores e Sul-Americana.

Enquanto as equipes avançam pelas áreas destruídas, a prioridade das autoridades permanece na localização de desaparecidos e no atendimento aos sobreviventes. O número de vítimas pode aumentar conforme as equipes de resgate conseguem acessar locais que permanecem isolados ou bloqueados pelos escombros.

Maria Pereira

Maria Pereira

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