Clima seco e excesso de telas agravam problemas nos olhos, alerta oftalmologista

Ardência, vermelhidão e sensação de areia nos olhos são comuns nesta época do ano em Mato Grosso do Sul, mas sintomas também podem indicar problemas mais graves que exigem acompanhamento médico

Clima seco e excesso de telas agravam problemas nos olhos, alerta oftalmologista

Foto: Ilustração

Olhos vermelhos, ardência, sensação de areia, visão embaçada e dores de cabeça têm se tornado cada vez mais frequentes entre a população, especialmente durante o período de baixa umidade do ar em Mato Grosso do Sul. Apesar de serem sintomas comuns, especialistas alertam que eles não devem ser ignorados, já que muitas doenças oculares evoluem de forma silenciosa e podem causar perda permanente da visão quando o diagnóstico é tardio.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 1,5 milhão de brasileiros vivem com cegueira e mais de 6 milhões apresentam algum tipo de deficiência visual. A boa notícia é que cerca de 90% desses casos podem ser tratados ou evitados quando identificados precocemente.

Doenças como catarata, glaucoma e retinopatia diabética costumam evoluir sem provocar dor ou grandes desconfortos nos estágios iniciais. Por isso, muitas pessoas só procuram atendimento quando a visão já está bastante comprometida.

Em Mato Grosso do Sul, o período de estiagem agrava ainda mais esse cenário. A baixa umidade do ar favorece o ressecamento dos olhos e aumenta as queixas de irritação ocular, principalmente entre quem passa muitas horas em frente às telas de computadores, celulares e tablets.

O oftalmologista Lívio Viana de Oliveira Leite explica que alguns cuidados simples ajudam a reduzir os efeitos do clima seco.

"Os principais cuidados são manter a hidratação do corpo, evitar vento e ar-condicionado e, em alguns casos, utilizar lágrimas artificiais, desde que indicadas por um oftalmologista. Também é recomendado o uso de umidificadores de ambiente ou toalhas molhadas para aumentar a umidade do ar."

Além das condições climáticas, o especialista chama atenção para o impacto do uso excessivo de dispositivos eletrônicos na saúde ocular.

"O uso prolongado de computador, celular e tablets está provocando reações como olhos ardendo, visão embaçada e dores de cabeça. Isso é ainda mais preocupante nas crianças, que não devem utilizar celulares ou tablets antes dos dois anos de idade."

Para reduzir o cansaço visual, o médico recomenda a chamada regra 20-20.

"A cada 20 minutos de uso de telas, a pessoa deve fazer uma pausa de 20 segundos olhando para um ponto distante. Esse descanso ajuda a relaxar a visão. Outra orientação importante é piscar mais vezes, porque durante o uso do computador ou do celular a tendência é diminuir a frequência das piscadas, aumentando o ressecamento dos olhos."

Mesmo sem apresentar sintomas, a consulta preventiva continua sendo a principal forma de evitar doenças graves.

De acordo com Lívio Viana, adultos sem histórico de problemas oculares devem realizar uma avaliação oftalmológica a cada dois anos. Já pessoas com glaucoma, diabetes, hipertensão arterial ou com mais de 40 anos precisam seguir o acompanhamento indicado pelo especialista.

As crianças também exigem atenção desde os primeiros dias de vida.

"O teste do olhinho deve ser realizado logo após o nascimento. Depois, a criança deve passar por uma consulta oftalmológica por volta dos dois anos e manter acompanhamento, pelo menos, até os oito anos de idade, período em que a visão ainda está em desenvolvimento. Qualquer alteração nessa fase pode causar prejuízos irreversíveis."

Mutirão amplia atendimento oftalmológico em Campo Grande

Para reduzir a fila de espera por consultas e cirurgias, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) realiza, em parceria com o Instituto da Visão, um mutirão de atendimentos por meio do programa Agora Tem Especialistas.

O convênio prevê mais de 10 mil consultas oftalmológicas, 62 mil exames especializados e 2.028 cirurgias, incluindo procedimentos de catarata e tratamentos de retina.

A Sesau orienta que o paciente não procure diretamente o Instituto da Visão. O primeiro passo é buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde passará por avaliação clínica. Havendo necessidade, o médico fará o encaminhamento para o sistema de regulação da Secretaria. Após a análise, a Central de Regulação entrará em contato para agendar a consulta, exame ou cirurgia.

Maria Pereira e Marina Gabriely

Maria Pereira e Marina Gabriely

Repórter e colaborador do portal.

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