Centro de Campo Grande perde 75% das empresas em sete anos e CDL aponta necessidade de revitalização

Entidade defende novas estratégias para recuperar a região central, com incentivo à moradia, fortalecimento do setor de serviços e atração de investimentos

Centro de Campo Grande perde 75% das empresas em sete anos e CDL aponta necessidade de revitalização

Foto: Divulgação / PMCG

O Centro de Campo Grande, que por décadas foi considerado o principal polo comercial da Capital, enfrenta um processo de esvaziamento econômico e redução no movimento de consumidores. Um levantamento apresentado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL) aponta que o quadrilátero central registrou uma queda de 75,9% no número de empresas ativas entre 2018 e 2025.

A área analisada, formada pelas ruas Rui Barbosa, Calógeras, 26 de Agosto e Avenida Mato Grosso, passou de 3.439 estabelecimentos em 2018 para 826 em 2025. O comércio varejista foi o setor mais afetado, com uma redução de 84,7%, saindo de 1.971 lojas para apenas 302 no período.

Além da perda de empresas, a CDL aponta uma queda significativa no movimento econômico da região. O número de transações diárias teria diminuído cerca de 60%, passando de 12,5 mil operações em 2018 para aproximadamente 5 mil em 2025.

O faturamento mensal do comércio varejista também apresentou retração, passando de R$ 25 milhões para R$ 11,25 milhões, uma redução de 55%. O ticket médio dos consumidores caiu de R$ 162 para R$ 48, uma queda superior a 70%.

Outro dado que chama atenção é a redução da população residente no Centro. Segundo a entidade, o número de moradores do quadrilátero central caiu de 11.509 pessoas em 2010 para 9.007 no Censo 2022, uma redução de 21,7%. A CDL destaca que essa é a única região da Capital que apresentou perda populacional no período.

Para a entidade, o cenário atual é resultado de uma combinação de fatores, como mudanças nos hábitos de consumo, crescimento dos shoppings, expansão dos corredores comerciais nos bairros e avanço do comércio eletrônico.

A CDL também aponta que a desativação de antigos polos de circulação, como a estação ferroviária e a antiga rodoviária, reduziu a chegada de consumidores ao Centro. Alterações no transporte coletivo, mudanças no trânsito e obras prolongadas de revitalização também são citadas como fatores que impactaram o comércio tradicional.

A falta de estacionamento é outro problema apontado pelos empresários. Segundo a CDL, o Centro perdeu mais de 800 vagas durante mudanças viárias e intervenções recentes. A entidade afirma que a dificuldade para estacionar faz com que muitos consumidores desistam das compras e busquem locais com maior facilidade de acesso.

A ausência do estacionamento rotativo há mais de três anos também é considerada prejudicial pelos lojistas. A avaliação é de que, sem a rotatividade das vagas, muitos espaços acabam ocupados durante todo o dia, reduzindo a possibilidade de parada rápida para consumidores.

Para recuperar a região, a CDL defende uma mudança no modelo de ocupação do Centro, com o incentivo para que mais pessoas voltem a morar na área. Segundo a entidade, um Centro com moradores gera movimento permanente para mercados, farmácias, restaurantes, bares, serviços e atividades culturais.

A proposta é transformar a região em um espaço de uso misto, reunindo comércio, moradia, saúde, lazer e serviços. A entidade defende incentivos fiscais para novos empreendimentos, estímulo à transformação de prédios antigos em moradias e medidas contra imóveis abandonados.

Uma das apostas para a retomada econômica é fortalecer o Centro como polo de saúde e serviços. A região já concentra hospitais, clínicas, laboratórios e estabelecimentos ligados ao setor, que podem atrair maior circulação de pessoas e movimentar outros segmentos do comércio.

A CDL também avalia que o comércio precisa acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor. Atualmente, o cliente pesquisa preços pela internet, utiliza aplicativos e busca experiências diferenciadas quando vai até uma loja física. Por isso, a entidade defende investimentos em atendimento, vendas digitais, uso de ferramentas tecnológicas e integração entre comércio físico e online.

Com a chegada de novos investimentos e a implantação da Rota Bioceânica, a expectativa é de novas oportunidades para Campo Grande. A CDL afirma que o comércio precisa se preparar para atender turistas, empresários e profissionais de outros países, com qualificação de funcionários, domínio de idiomas e melhoria dos serviços.

Outro desafio apontado pelos empresários é a falta de profissionais qualificados. As maiores dificuldades estão em áreas como vendas, atendimento ao cliente, liderança de equipes e domínio de ferramentas digitais.

A entidade destaca que o profissional do futuro precisa reunir conhecimento técnico e habilidades como comunicação, empatia e capacidade de adaptação. Para isso, a CDL mantém programas de capacitação e oferece ferramentas de apoio aos empresários, como soluções de análise de mercado e inteligência comercial.

Apesar dos números negativos, a CDL afirma que o Centro de Campo Grande ainda tem potencial de recuperação. A avaliação é de que a região precisa deixar de depender apenas do comércio tradicional e se transformar em um ambiente mais dinâmico, com novos negócios, moradores, serviços, cultura e lazer.

Para a entidade, a revitalização depende da união entre poder público e iniciativa privada, com ações voltadas para segurança, mobilidade, infraestrutura e estímulo aos investimentos.



Maria Pereira

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