CDL cobra ações urgentes para revitalizar o Centro de Campo Grande e critica falta de planejamento

Presidente da entidade aponta perda de competitividade do comércio, reclama da falta de segurança, estacionamento e diálogo com a Prefeitura

CDL cobra ações urgentes para revitalizar o Centro de Campo Grande e critica falta de planejamento

Foto: Marina Gabriely

A necessidade de um plano de revitalização para o Centro de Campo Grande voltou a ser defendida pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Em reunião realizada nesta semana para discutir os desafios do comércio da Capital, o presidente da entidade, Adelaido Figueiredo, afirmou que o varejo vive uma transformação profunda e que a região central perdeu protagonismo econômico nos últimos anos, exigindo medidas urgentes do poder público.

Segundo Adelaido, o comportamento do consumidor mudou e, atualmente, a população prefere fazer compras perto de casa, reduzindo o fluxo de pessoas no Centro.

"Sofremos uma transformação do varejo. As pessoas hoje têm comércio muito perto de casa. Consumimos a 15 minutos de casa e procuramos o comércio mais próximo. Antigamente tudo era resolvido no Centro, onde estavam bancos, lotéricas e grandes lojas. Hoje o campo-grandense não precisa mais ir ao Centro para resolver seus problemas."

O dirigente também criticou decisões adotadas pela Prefeitura, principalmente em relação às mudanças no estacionamento da região central.

"Houve uma interferência desastrosa da Prefeitura quando resolveram tirar vagas de estacionamento. Nunca concordei com isso porque o comportamento do campo-grandense é diferente do europeu. Aqui as pessoas querem estacionar na porta do estabelecimento."

De acordo com a CDL, os reflexos já aparecem no faturamento das empresas. Adelaido afirmou que o Centro perdeu mais de 70% da capacidade produtiva e que o valor médio das compras caiu drasticamente.

"Em 2018, o ticket médio era de R$ 162. Hoje é de R$ 48. É por isso que vemos muitas lojas vendendo capinhas e carregadores de celular. Produtos de baixo valor conseguem sobreviver. Uma loja que vende uma camisa de R$ 200 dificilmente consegue se manter no Centro."

Outro ponto levantado foi a falta de manutenção de projetos implantados na região.

"O projeto do Centro foi muito grande, mas hoje não existe manutenção. Precisamos discutir o Centro de Campo Grande porque muitos avanços conquistados há 15 anos foram perdidos."

Na avaliação da CDL, a segurança também influencia diretamente o movimento do comércio. O presidente criticou a desativação do sistema de videomonitoramento que, segundo ele, auxiliava no combate à criminalidade.

"Tivemos um trabalho para trazer o videomonitoramento para Campo Grande. Existia uma central que funcionava junto com a Guarda Municipal e isso foi perdido. Hoje os campo-grandenses pagam por mais de 200 câmeras que servem apenas para aplicar multas. A sensação de segurança é fundamental para quem frequenta o Centro."

Adelaido também afirmou que existem diversos pontos de receptação de produtos furtados na região central e defendeu uma atuação mais efetiva das forças de segurança.

"Temos cerca de 15 pontos onde ocorre receptação de produtos furtados. A polícia e a Guarda Civil conhecem esse problema, mas falta vontade para resolver."

Entre as propostas apresentadas pela CDL estão a criação de estacionamentos públicos, reativação da central de videomonitoramento com inteligência artificial, instalação de pontos para recarga de veículos elétricos, melhorias na limpeza urbana e fortalecimento da segurança.

"Campo Grande precisa resolver questões como estacionamento rotativo, videomonitoramento com inteligência artificial e segurança. Estamos vivendo um apagão de projetos administrativos."

O presidente também lamentou a falta de diálogo entre a entidade e a administração municipal.

"Estamos tentando há dois anos uma audiência com a prefeita Adriane Lopes e não conseguimos. Colocamos a CDL à disposição para ajudar. Não fazemos apenas críticas; queremos construir soluções."

Apesar das cobranças, Adelaido ressaltou que a CDL continua investindo em estudos e projetos para fortalecer o setor produtivo.

"Estamos trabalhando cada vez mais para trazer inovação para Campo Grande e para o varejo. Somos uma entidade sem fins lucrativos, independente de recursos públicos, justamente para ter liberdade de defender o setor produtivo."

 


Maria Pereira

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