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A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (12), a comissão especial responsável por analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal no Brasil. A previsão é que a votação da proposta aconteça somente depois das eleições de outubro.
O colegiado será presidido pelo deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA), enquanto o deputado Mendonça Filho (PL-PE) ficará responsável pela relatoria do texto.
A proposta modifica o artigo 228 da Constituição Federal para determinar que pessoas a partir dos 16 anos sejam consideradas penalmente imputáveis. Atualmente, a legislação estabelece que menores de 18 anos são inimputáveis e estão submetidos às regras previstas na legislação específica.
Segundo o relator, a decisão de deixar a votação para depois do período eleitoral busca evitar que o debate seja utilizado como instrumento de disputa política durante as eleições.
"É um debate importante, elevado e vamos tratar esse tema com absoluta responsabilidade", afirmou Mendonça Filho durante a instalação da comissão.
Antes de chegar ao plenário, a PEC será discutida pelos integrantes da comissão especial. Os parlamentares terão inicialmente 10 sessões do plenário para apresentar emendas ao texto. O colegiado poderá funcionar por até 40 sessões.
Depois da análise e da votação na comissão, a proposta poderá seguir para o plenário da Câmara. Para ser aprovada, uma PEC precisa receber pelo menos 308 votos favoráveis, em dois turnos de votação.
Caso seja aprovada pelos deputados, a proposta ainda terá de passar pelo Senado Federal. A redução da maioridade penal só poderá entrar em vigor se também for aprovada pelos senadores, seguindo o rito previsto para mudanças na Constituição.
Debate envolve questões constitucionais
A discussão sobre a PEC ganhou força após a proposta de redução da maioridade penal ter sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em junho.
Na ocasião, parlamentares contrários à medida argumentaram que a mudança poderia atingir direitos e garantias fundamentais protegidos pela Constituição e considerados cláusulas pétreas, que não poderiam ser abolidos por meio de emenda constitucional.
Defensores da proposta, por outro lado, sustentam que a alteração não violaria a Constituição nem tratados internacionais assinados pelo Brasil.
A comissão especial terá justamente a função de aprofundar a análise do texto antes de uma eventual votação no plenário.
Discussão foi separada da PEC da Segurança
O debate sobre a maioridade penal voltou ao Congresso depois de ter sido retirado da proposta da PEC da Segurança Pública.
A matéria apresentada originalmente pelo governo federal não previa a redução da maioridade. Durante a tramitação, porém, o assunto passou a ser discutido no Congresso.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, havia defendido que a questão fosse analisada separadamente, em uma proposta específica. A avaliação era de que a inclusão do tema na PEC da Segurança poderia dificultar a aprovação do restante do texto no Senado.
Agora, a redução da maioridade penal terá uma tramitação própria na comissão especial e deverá enfrentar novos debates antes de chegar ao plenário da Câmara.
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