Foto: Divulgação
O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde o início da série histórica. Os dados, divulgados pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, representam um aumento de 4% em relação ao ano anterior e marcam o quarto recorde consecutivo desse tipo de crime no país.
O levantamento mostra que a taxa nacional chegou a 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres, enquanto os demais indicadores de mortes violentas apresentaram queda no mesmo período.
Em contraste com a redução dos homicídios e de outras mortes violentas intencionais, os feminicídios seguiram em alta, evidenciando que a violência contra a mulher mantém uma dinâmica própria, ligada principalmente ao ambiente doméstico e às relações familiares.
Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com as maiores taxas de feminicídio do país, ao lado do Amapá e de Mato Grosso, reforçando a preocupação com a violência de gênero nas regiões Norte e Centro-Oeste.
O perfil das vítimas revela que 65,1% eram mulheres negras, mais da metade tinha entre 25 e 44 anos e 62,5% foram assassinadas dentro da própria residência.
Na maioria dos casos em que o autor foi identificado, o agressor era alguém próximo da vítima. O estudo aponta que 96,4% dos feminicídios foram cometidos por homens, sendo que 60,9% dos autores eram companheiros e 18,9% ex-companheiros.
Outro dado que chama atenção é o crescimento das tentativas de feminicídio. Em 2025, 4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de assassinato, aumento de 5,9% em comparação com 2024. Isso significa que, para cada feminicídio consumado, houve quase três tentativas interrompidas antes da morte da vítima.
O anuário também destaca falhas na proteção às mulheres em situação de risco. Entre os estados que forneceram informações ao levantamento, 70 mulheres foram assassinadas mesmo possuindo medida protetiva de urgência em vigor. Além disso, o país registrou 132.025 casos de descumprimento de medidas protetivas, alta de 16,7% em relação ao ano anterior.
Os pesquisadores defendem que o enfrentamento ao feminicídio exige mais do que ações repressivas. Segundo o estudo, é necessário fortalecer políticas de prevenção, ampliar a identificação precoce de situações de risco e garantir o cumprimento efetivo das medidas de proteção para impedir que episódios de violência doméstica evoluam para o assassinato de mulheres.
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