A baixa adesão às campanhas de vacinação preocupa as autoridades de saúde de Campo Grande. Apesar dos bons resultados no controle da dengue e de outras arboviroses, a cobertura vacinal abaixo da meta coloca a população em risco de enfrentar novamente doenças que já haviam sido eliminadas, como o sarampo.
A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Veruska Lahdo, explica que o monitoramento das doenças é permanente e acompanha as mudanças de cada período do ano.
"Temos o período sazonal da dengue e da zika, entre dezembro e abril. Logo depois vem o período das síndromes respiratórias. Monitoramos a situação da saúde 24 horas por dia para acompanhar o cenário em Campo Grande. Além disso, também acompanhamos o surgimento de vírus no Brasil e no exterior", afirmou.
A principal preocupação, neste momento, é o sarampo. Segundo Veruska, o Brasil já havia erradicado a doença, mas a queda na cobertura vacinal aumenta o risco de novos casos, especialmente durante as férias e o aumento das viagens nacionais e internacionais.
"No ano passado encerramos a cobertura vacinal contra o sarampo em 75%, quando o ideal é atingir pelo menos 95%. Isso representa um risco para toda a população. Com férias, viagens e grandes eventos, aumenta a possibilidade de reintrodução do vírus no país", alertou.
A orientação é que pessoas de até 29 anos tenham recebido duas doses da vacina. Já quem tem entre 30 e 59 anos deve ter pelo menos uma dose registrada.
Para facilitar o acesso, não é obrigatório apresentar a carteira de vacinação.
"Basta levar um documento pessoal e o Cartão do SUS. Se a pessoa não tiver a carteirinha, a equipe consulta o sistema para verificar quais vacinas já foram aplicadas", explicou a superintendente.
Outra preocupação é a poliomielite, que continua sem registro de novos casos, mas também apresenta cobertura abaixo da meta de 95%.
Segundo Veruska, a queda na vacinação está relacionada à desinformação e ao receio provocado por notícias falsas.
"Muitas pessoas deixam de se vacinar por desconhecimento, medo ou por acreditarem em fake news. Em caso de dúvida, a orientação é procurar um profissional de saúde. A vacina não impede totalmente a infecção, mas reduz significativamente o risco de formas graves e complicações da doença", ressaltou.
A superintendente também destacou os resultados positivos da vacinação contra a bronquiolite em gestantes.
"A vacina aplicada durante a gestação protege o bebê ainda na barriga da mãe. Já percebemos uma redução de cerca de 50% nos casos, mostrando que a vacinação traz resultados concretos", disse.
Em relação à Covid-19, Veruska lembra que a vacina continua disponível para os grupos prioritários, como idosos, gestantes e crianças. Já pessoas sem comorbidades e fora dos grupos de risco não precisam mais receber novas doses de rotina.
Sobre as arboviroses, Campo Grande registra um dos melhores cenários dos últimos cinco anos. Em 2026, foram contabilizadas cerca de 1.200 notificações de dengue, um caso de zika e 34 de chikungunya. Além disso, o município está há seis anos sem enfrentar uma epidemia dessas doenças.
Apesar dos indicadores positivos, a Secretaria Municipal de Saúde reforça que o combate ao mosquito Aedes aegypti deve continuar.
"Estamos vivendo o melhor cenário dos últimos cinco anos, mas isso não significa que podemos relaxar. Precisamos da colaboração de toda a população para manter esses bons resultados", concluiu Veruska Lahdo.
E finalizou "A prevenção é um dos pilares da saúde e investir nela é o melhor caminho. Se tiver dúvidas sobre qualquer vacina, procure uma unidade de saúde e busque orientação. Também é importante cuidar do quintal e eliminar possíveis criadouros do mosquito. São atitudes simples que ajudam a prevenir epidemias e protegem toda a sociedade. Cada cidadão pode contribuir para esse trabalho coletivo."
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