Foto: Divulgação
O mês de agosto é marcado pelo Agosto Dourado, campanha de conscientização que reforça a importância do aleitamento materno e do apoio às mães que amamentam. Em Campo Grande, o Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HU-UFMS), da Rede Ebserh, alerta para a necessidade de ampliar o número de doadoras para garantir o atendimento aos recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados na UTI Neonatal.
Atualmente, o banco de leite arrecada cerca de 90 litros de leite materno por mês, mas a necessidade ideal da unidade chega a aproximadamente 180 litros mensais. A diferença reforça a importância da participação de novas mães que tenham leite excedente e possam contribuir com a doação.
Segundo a nutricionista do Banco de Leite Humano do HU-UFMS, Fabiana Santos Araújo, o leite doado tem um papel fundamental na recuperação dos bebês que mais precisam.
“O leite humano é essencial para o recém-nascido prematuro e de baixo peso que está na UTI Neonatal, ajudando na imunidade, no desenvolvimento e na redução de complicações. Pequenas doações fazem grande diferença e podem salvar vidas.”
A doação pode ser feita por qualquer mulher saudável que esteja amamentando e tenha produção excedente de leite. O processo é acompanhado pela equipe do Banco de Leite, que orienta todas as etapas, desde o cadastro até a retirada, armazenamento e transporte do leite.
“O processo é simples e orientado pelo banco de leite, com cadastro, instruções de higiene e orientação sobre como realizar a extração de forma segura e o armazenamento correto. A coleta pode ser feita em casa, e depois o leite passa por pasteurização e controle de qualidade antes de chegar aos recém-nascidos prematuros.”
Benefícios do leite materno para o bebê
Considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida, o leite materno oferece nutrientes essenciais e substâncias de proteção que fortalecem o sistema imunológico do bebê.
A amamentação reduz o risco de infecções, alergias, diarreias e doenças respiratórias, além de contribuir para o desenvolvimento neurológico e cognitivo da criança. A longo prazo, também está associada a menores chances de obesidade, diabetes e hipertensão.
Amamentação também protege a saúde da mãe
Além dos benefícios para o bebê, a amamentação traz impactos positivos para a saúde da mulher. Durante esse período, o organismo passa por adaptações hormonais e metabólicas que contribuem para o equilíbrio do corpo após a gestação.
Segundo Fabiana, a produção de leite aumenta o gasto energético, auxilia no uso das reservas de gordura acumuladas durante a gravidez e pode contribuir para o controle da glicose, da pressão arterial e dos níveis de colesterol.
“Quanto maior o tempo de amamentação dentro das recomendações, maiores tendem a ser os benefícios para a saúde da mãe ao longo da vida. Por isso, amamentar também é uma forma de cuidar da saúde materna.”
A amamentação também ajuda o útero a retornar mais rapidamente ao tamanho normal, reduz o sangramento após o parto, favorece a recuperação do peso adquirido durante a gestação e está relacionada à redução do risco de câncer de mama, câncer de ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Leite materno gera economia e contribui com o meio ambiente
Além dos benefícios à saúde, o aleitamento materno também representa economia para as famílias e impacto positivo para o meio ambiente. Por ser um alimento natural, disponível e sempre na temperatura adequada, reduz gastos com fórmulas infantis, mamadeiras e outros produtos.
“O leite materno é um alimento custo zero, está sempre pronto e na temperatura ideal. Também é uma prática sustentável, pois não utiliza mamadeiras, latas, embalagens ou combustível para o preparo, não produz lixo e tem um impacto maravilhoso no ambiente. É um alimento natural, saudável, seguro e renovável.”
Banco de Leite oferece apoio às mães
Apesar dos avanços nas ações de incentivo ao aleitamento materno, muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades que podem levar à interrupção precoce da amamentação. Entre os principais desafios estão dor, dificuldade na pega do bebê, fissuras mamilares, excesso de leite, insegurança sobre a produção e retorno ao trabalho.
O Banco de Leite Humano do HU-UFMS oferece atendimento especializado para orientar e acolher essas mães, com acompanhamento de profissionais da enfermagem e nutrição.
“A gente oferece assistência para orientar e acolher essas mulheres, para que elas possam ter uma amamentação de qualidade. Também ensinamos a pega correta, o manejo das principais dificuldades, a extração do leite e o armazenamento adequado, proporcionando mais segurança para que a mãe consiga manter a amamentação.”
Durante o Agosto Dourado, a mensagem reforçada é que amamentar vai além de alimentar um bebê. A prática representa cuidado com a saúde da criança, proteção para a mãe, economia para a família e sustentabilidade para o planeta.
E para aquelas mães que possuem leite excedente, a doação representa ainda mais: a oportunidade de ajudar a salvar a vida de recém-nascidos prematuros que dependem desse alimento como parte essencial do tratamento.
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